PERDA DE OLFATO E PALADAR PELO COVID-19


Embora os estudos sobre a Covid-19 tenham mobilizado pesquisadores em todo o mundo e a corrida pela vacinação esteja acelerada, ainda há muitos aspectos do novo coronavírus que intrigam médicos e cientistas. Entre eles a perda de olfato e paladar associada à doença.

O otorrino dr Marcelo Galhardo explica como acontece a anosmia e a ageusia – perda de olfato e paladar, respectivamente – e por que essas condições estão sendo tão frequentes na Covid-19.

“Quando os primeiros casos do novo coronavírus foram aparecendo e se discutia como era a manifestação clínica da doença, notou-se que havia a anosmia (a falta da percepção do cheiro) como algo relativamente comum”, aqui no consultório atendo muitos pacientes com este sintoma, depois de algum tempo de contaminação, vários pacientes relatam que além da perda de olfato e paladar, sentem cheiro de fumaça ou de coisas podre no ar, se sabe pouca coisa sobre os vários sintomas do Covid-19 ainda.” Afirma dr Marcelo.

Um estudo da Universidade da Flórida, que apontou que as pessoas diagnosticadas com Covid-19 perdem, em média, 80% do olfato e 69% do paladar.

Isso ocorre porque o Sars-Cov-2 afeta o nervo olfativo, que, segundo ele, “são pequenas ramificações que se juntam uma outra estrutura intracraniana chamada bulbo olfatório, e segue para dentro do cérebro, fazendo contato com as áreas do prazer e da memória”.

“Qualquer doença respiratória que pegue vias respiratórias superiores pode provocar um certo inchaço na mucosa dessa região e prejudicar a entrada da informação olfativa”, ressalta. “Não é incomum alguém que está gripado falar que não está sentindo o cheiro das coisas”, acrescenta Dr Marcelo.

Mas a tendência a essa perda parece ser maior em diagnósticos da Covid-19. “No caso do novo coronavírus, além da pré-disposição pelas vias superiores, também tem o tropismo, que é uma facilidade de chegar perto do nervo olfativo, o que causa a perda do olfato”, explica, acrescentando “o fato de o vírus gostar de ter contato com esse nervo”.

Dr Marcelo Galhardo aponta que os resultados até aqui têm mostrado recuperação desses sintomas em até três meses do início da perda de olfato e paladar, mas frisa que os casos ainda estão sendo acompanhados para determinar melhor quais serão os impactos a longo prazo. “Ainda não sabemos se será uma sequela definitiva ou não”, conclui.